PONTO DE VISTA 1291 SERGIO MORO ..
Este texto não é meu, trago para que avaliem, pois
achei muito interessante...
Por Lenio Streck e Marco Aurélio
Carvalho - O ex
juiz e ex-ministro Sérgio Moro é uma figura e tanto. Não erra jamais. Seu truque é usar o Fator Target – primeiro atira
a flecha. Depois pinta o alvo. Pronto. Depois de tudo o que fez - agiu
deliberadamente para derrubar uma Presidente e usou de ilicitudes para prender
outro ex-Presidente - o ex-juiz e ex-Ministro do Governo Jair Bolsonaro (ele
quer esconder isso) agora quer agir como democrata. Age como outsider, tentando
aquilo que jamais a filosofia conseguiu: sair de um paradoxo como o Liar
Paradoxe (paradoxo do mentiroso): todos os que estão nesta sala são mentirosos;
eu estou na sala; logo, também sou mentiroso; assim, se o contrário da mentira
é a verdade, acabo de cair em um paradoxo (dele só se sai pela linguagem
lógica). Com isso, substitua-se “sala” por “governo” e teremos o “Paradoxo
Moro”.Segundo entrevista do dia 6.6.2020, deseja até mesmo aderir aos
movimentos pró-democracia. Ou seja, Moro constrói a bastilha e depois escreve
um texto contra a pena de morte.
Parece querer que esqueçamos que o
bolsonarismo é filho legítimo (de pai e mãe) do lavajatismo. Assim, quem sabe,
pretenda esconder suas próprias responsabilidades em relação ao caos em que
estamos mergulhados.
Moro é o Barão de Münschausen da
política brasileira (e do direito): afundando no pântano do descrédito com seu
cavalo, quer salvar-se puxando-se pelos próprios cabelos. A questão é que todos
(pelo menos uma boa parcela da população) já sabem que sabem o que Moro fez. E
isso é imperdoável. Todos sabemos que o ele fez nos verões, outonos, primaveras
e verões passados, conjuminando-se com a Força Tarefa da lava jato, chefiando
operações, atravessando ordens judiciais quando de férias, vazando delações
premiadas e liberando gravações ilícitas. Esse é Sérgio Fernando Moro.
Esculpido em Carrara. Ele diz que na democracia, as questões pessoais devem ser
deixadas de lado. Ora, como juiz, ele não fez isso. Como Ministro da Justiça,
assistiu, calado, um colega seu dizer que os onze ministros do STF - lugar para
onde queria ir – eram vagabundos e deveriam estar presos. E o que fez Moro?
Quedou-se silente. Fez-se estátua. Deve ser algo como "ministros do STF,
nada pessoal, mas estou no governo e, sabem como é.…".
E não adianta dizer que no dia seguinte
pediu demissão. Sabe-se por que pediu exoneração. O próprio Presidente
Bolsonaro sabe. Todos sabem. Além de tudo, nosso Barão de Münschausen é
craque em trocar o nome das coisas: parcialidade é justificada pelos fins que
justificam os meios. E um motim no Ceará ganha, no neonominalismo de Moro, o
nome de "greve". Passar por cima do devido processo legal vira
"rule of law" (em inglês, mesmo).
Moro diz que Bolsonaro tem arroubos
autoritários. Bom, diz-nos com quem andas e te diremos se podemos andar
contigo. Nada de novo. Moro, quando entrou no governo, não conhecia o
curriculum de Bolsonaro? Ou, tanto mais óbvio, ao retirar de forma deliberada o
franco favorito do último pleito presidencial, condenando-lhe sem provas a uma
prisão injusta e arbitrária, não podia realmente prever o que disso decorreria?
Moro acusa o Presidente de ter retirado os radares e isso causou o aumento de
número de mortos nas estradas. Diz que "isso é populismo e um quê de
autoritarismo". Então, podemos concluir: se o Ministro da Justiça e
Segurança Pública sabe que uma medida do governo causará mortes e nada faz, qual
é o nome que se dá a isso? Pode-se chamar de leniência, interesses pessoais,
desejo de não se incomodar, mas há coisas no Código Penal que dão nome a isso.
Moro diz que não concordou com o Presidente. Mas, como Ministro da justiça, não
deveria ter agido? As pessoas que sofreram acidentes e os familiares dos que
morreram por causa da retirada dos controladores de velocidade podem, baseadas
na entrevista de Moro – que acusou Bolsonaro de populista e autoritário -
processar a União. Mais uma vez, Moro sabia. Até mesmo o Gabinete do Ódio,
segundo a entrevista, não era do desconhecimento de Moro quando Ministro da
justiça. E, de novo, nada fez. Nem mandou investigar. Quantas reputações foram
destruídas pela inércia do então Ministro?
E os massacres nos presídios? E o
massacre em São Paulo na comunidade Paraisópolis? Como já disse o Ministro
Gilmar Mendes, Moro “não deixou nenhuma marca no Ministério da Justiça, foi uma
trajetória medíocre. Ou seja, Moro foi um juiz parcial e um ministro leniente.
Diz que fez tudo pelo bem do país. Correto. Vamos dar de barato que Moro
venceu. E venceu como o general Pirro, que, às portas de Roma, olhou para trás
e viu suas tropas em frangalhos. Dizemos nós: mais uma vitória como a que Moro
proporcionou até hoje no país e será o fim do que resta. Se as vitórias são
essas, imaginem as derrotas quando vierem. Nosso Barão se segura nos próprios
cabelos. Só não se sabe se o cavalo virá junto
ATÉ AQUI O TEXTO DO AUTOR. Acrescento
dizendo que ele foi o grande canalha da política brasileira. Trabalhou o tempo
todo a serviço dos americanos, favorecendo a desmoralização das empresas
nacionais e entregando os nossos segredos para que fizessem uso e adquirissem o
que eles consideravam importantes. Assim acabaram com a Petrobrás, a Odebrecht
e outras, forçou a delação premiada, permitindo que os advogados do seu grupo
ganhassem muito dinheiro de forma ilícita, culminando com o jogo que tirou o
candidato Lula da parada eleitoral, onde era considerado franco favorito.... Perdão
pela extensão do assunto ....