quinta-feira, 15 de abril de 2010

droga...

PLANTÃO MÉDICO




Duas e trinta da madrugada. Plantão no Tio Chico. Entre um ou outro atendimento, mosquito zunindo... Não consigo dormir. Levanto e escrevo para o blog de amanhã. Embora calejado na profissão, lembro e relembro a ultima internação. Jovem, 24 anos, de família conhecida. Clama por uma internação. Oito a dez pedras por dia. Relata ter perdido tudo. Abandonado pela família. Detestado pelo avô. Não pela pedra, mas por gostar de homens. Ganha vida pelos programas que faz... Sabe como é doutor... Ainda recebe alguma coisa do bolsa família. Já roubou para obter a droga. Desnutrido, mal cheiroso e cheio de lamentações... Diz querer se afastar do vicio maldito. Pede auxilio. Pede internação. Acudo. Interno com a certeza de fazer muito pouco por ele. Igual a ele tem mais vinte casos baixado no hospital. Medicação paliativa. Vitaminas para combater a desnutrição. Antidepressivos, contra ansiedade. Psicólogos, Psiquiatra. Acompanhamento no CAPS. Ficam alguns ou muitos dias baixados, foge e retorna ao hospital. É a rotina de todos. Abandonado pela família que já destruiu. Podia ser meu filho, meu neto, meu amigo, um simples vivente. Quem não conhece uma pessoa nessas circunstâncias? Difícil acreditar... Essas coisas também acontecem com a gente... O mesmo M que tem na palma da mão dele... Está na minha. Logo é meu irmão. Tenho a obrigação de zelar por ele. Essa droga ceifa mais mortes que a AIDS. A sociedade esta cada vez mais impotente para lidar com o problema. Até quando?



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