sexta-feira, 4 de maio de 2012

PLANTÃO MÉDICO NO SÃO FRANCISCO...

A noite foi minha. Ela é pequena. Mas traz muitas surpresas. Há muito o que comentar. Falo sobre isso porque vivo o momento. Se fosse engenheiro, falaria sobre obras. Cada um fala sobre o que sabe ou vivencia. Os figurantes se repetem. As mesmas caras, os mesmos problemas. Há pessoas que tem prazer em consultar. Tudo é pretexto para virem ao Hospital. Médico novo, medico velho, medico que dá atestado, médico que não dá. Receita controlada, azul, amarela, referência., medicamentos da saúde. Marido que bateu na mulher e depois se arrependeu (ou não). Acidente de moto. Picada de cobra. Briga. Esfaqueado e tiro de revólver. todo o tipo de gente circula na noite. Toxicônomos, etilistas, cheirador de cocaína ou viciados na pedra. Um sujeito vem diariamente ao hospital e pede injeção para dor. Atendido vai ao ambulatório. Quando fica sozinho com a enfermeira tenta assediar. Numa tentativa de mostrar os documentos, tira as calças quando não precisa. Estamos de olho nele. Outra estava viciada em morfina. Vinha em todos os plantões. Desconfiamos e passamos a controlar. Hoje ela perambula pelos hospitais de Rio Grande, em busca da mesma droga.  Outros chegam gritando e quebrando os vidros. Vezes chegam acompanhados por políticos tentando usar de suas influências. Os policiais freqüentemente nos brindam com marginais, ladrões e outros elementos que precisam ser recolhidos e também de atestados para justificarem que os presos foram bem tratados.e não sofreram agressões fisicas. O último que atendi foi esfaqueado no Ferrari. Penetrou profundo, quase atingindo o pulmão. Briga de tóxico. Prometeu que vai a desforra. Argumentei que não adiantaria, ele iria preso. Filosofou. Disse que a cadeia tem duas portas, Uma entra e outra sai. Cemitério tem só a porta de entrada. Durma-se com um barulho desses. O Plantão terminou. Depois, haverá outro plantão... E a vida continua...Cada um sendo ator de seus próprios atos...

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