quarta-feira, 9 de maio de 2018


PONTO DE VISTA 501          AMIGOS
Tenho vários além do face, nem tantos quanto gostaria, mas consideráveis diante de uma existência. Alguns já se foram. Por razões óbvias vou concentrar nele, apesar da distância que nos afastou, pois já faz muitos que nos deixou e permanece presente. Homem de hábitos simples. Numa das encruzilhadas da vida, quando ainda estudante do colégio Gonzaga, em Pelotas, nos encontramos e ficou a simpatia. O tempo nos reencontrou. Ele se instalou no comércio nortense, trouxe a Léia do gás, procriou uma bela família. Quase na mesma época eu cheguei e nos reencontramos, uma amizade profunda. Instalei o meu consultório e até hoje continuo. No dia a dia comentávamos as dificuldades da vida. Numa daquelas conversas com o Gaspar, entendeu que eu passava por uma crise financeira, decorrente dos investimentos, ofereceu um empréstimo e eu recusei dizendo não ser necessária, pois gozava de bom crédito e facilmente eu resolveria com o Banco. Passou poucos dias e apareceu um dinheiro extra na minha conta bancária, além das minhas necessidades. Surpreso, fui atrás das origens e vi que foi depositado pelo meu amigo Gaspar Soares. Constrangido fui conversar com ele e não houve jeito, tive que aceitar o vultuoso empréstimo. Várias tentativas eu fiz para quitar e não houve jeito. Em seguida o amigo faleceu e eu fui prestar contas com a viúva. Também encontrei dificuldades para que aceitasse a quitação dívida e ela estabeleceu que eu pagaria parte da formação universitária da filha, que se transformou numa advogada. São fatos que a gente nunca esquece e nos torna mais humanos. Nem todas as pessoas são generosas e percebem as dificuldades dos amigos, bem como nem todos ficam eternamente agradecidos pelo que receberam. Ficou na lembrança e hoje recordo com muita alegria, tenho eles como uma outra família....

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