PONTO DE VISTA 631
UMA CERTA ANGUSTIA....
Aqueles que convivem comigo sabem ou pelo menos deveriam
saber que nutro pelas pessoas um sentimento elevado de respeito e consideração.
Seria incapaz de impor uma vontade estranha ou de contrariar um interlocutor. Tenho
as minhas opiniões e por isso respeito muito à vontade e a liberdade de meus
amigos escolherem em quem votar, afinal o voto é secreto e antes de mais nada é
soberano, e não se deve votar em ninguém por amizade ou até mesmo por gratidão.
Considero um direito sagrado o direito de votar. Assim sempre foi o meu
comportamento familiar e com os meus amigos. Gosto de dialogar e expor as
minhas ideias, ao mesmo tempo que apresento o contraditório, quando acho
necessário, com muito respeito e consideração, sem usar meios de persuasão
antiéticos ou desonestos. No entanto, confesso, guardo uma certa angustia, uma
ansiedade quando vejo colegas médicos ou pessoas chegadas, que eu sei serem
possuidores de bons princípios e muitas vezes cultas, entrarem nessa onda de
fanáticos, que abundam o nosso meio político, nessa época eleitoral, e esse
ano, mais característico que os demais, pois existe uma pregação de ódio e
rancor, que atinge até pessoas de sentimento cristão e engajados em sociedades
religiosas, como lideranças. Eu sei que isso é passageiro e que logo ali,
entrarão na realidade e enxergarão outro prisma. Sem querer ofender a quem quer
que seja, não consigo aceitar que uma pessoa que deveria ser um exemplo para a
comunidade, possa interagir com candidato que simboliza sentimento de
destruição, que dá sinais de subjugação e mal trato de mulheres ou negros, que
tem antecedentes duvidosos em relação a família, que mostra sinais
preconceituosos com as minorias, que mostra total desconhecimento com a
governabilidade, com gestos ditatoriais e antidemocráticos que antecipa o
reconhecimento que não irá aceitar o resultado das urnas se não for o vencedor
da batalha, que expresse sentimentos de morte ou eliminação dos adversários,
que não os considera como tal, mas inimigos. Tudo isso e mais alguma coisa que
não quero citar, pois acredito desnecessário pois os exemplos são abundantes.
No passado até aceitaria que, por desconhecimento, escolhessem um candidato por
engano, hoje, com todos os meios de informação que temos em disponibilidade,
com as facilidades que temos de distinguir uma falsidade de uma veracidade nas
notícias que nos enviam, me perdoem, isso
não pode acontecer. Poderia alguém dizer que eu não tenho nada com isso.
Ledo engano. Tenho sim, pois a minha família, meus amigos, as pessoas a quem
prezo ou os meus patrícios, estão em perigo, se tivermos um mal e belicoso
governo, o voto errado pode ser decisivo e por isso eu cumpro com o meu dever
de alertar.... Desculpe, acordei no meio da noite com essa preocupação e não
pude deixar de escrever...


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