PONTO DE VISTA 992 A
INSATISFAÇÃO É A MOLA DO PROGRESSO...
Pode parecer estranho o título escolhido para manifestar
descontentamento sobre episódio recente, ocorrido em nosso Hospital. Na
verdade, o ser humano é assim. Quanto mais conforto e segurança é oferecido,
maior é o grau de reclamação. Essa história de elogiar apenas é sinal que estão
seguros. Quem pode se considerar estável quando se trata de doença. Quando
alguém se dirige a um nosocômio, vários fatores entram na questão. Consideramos
que sempre que alguém é levado a buscar auxílio, vai junto com vários
familiares. Quanto maior for a gravidade, mais nervosos e agitados ficam os
familiares e amigos do enfermo. As pessoas são diferentes, graus emocionais
variados. Neuróticos, mal-educados e problemáticos se misturam. Normal. O que
não podemos admitir é a presença de mal-intencionados que procuram denegrir uma
imagem que está se formando. Falo de cadeira, pois sou médico, fundador e por
isso acompanho o desenvolvimento, antes mesmo de sua fundação. Faço plantões
até hoje, com muito prazer e sempre bem-humorado, porque gosto do que faço. Não
fiquei surpreso quando, no meu dia de folga, constatei o barraco que se armou,
pelo fato de um paciente não ter sido atendido no momento que a família
desejava. Alguém começou a gritar de forma desesperada, o paciente se atirou no
chão e um vídeo estava preparado para documentar o fato. Nós que conhecemos o
cenário de atendimento, só temos a lamentar, pois isso traz um enorme prejuízo
para a nossa imagem. Já comentei em artigo anterior e agora umas pinceladas,
para relembrar. Existe um protocolo que permite que os casos de gravidade sejam
atendidos, de acordo com a necessidade de urgência e emergência. Um posto de
triagem permite essa diferenciação. Os dois médicos plantonistas, ficam na
retaguarda, prestando assistência aos que estão nas salas amarela e vermelha,
que possuem necessidades já comprovadas, acompanhados de uma equipe de
enfermeiros, técnicos e outros profissionais da saúde. No momento, pelas informações colhidas, os
leitos dessas salas estavam lotados e em atendimento de casos delicados, que se
não fossem atendidos, certamente viriam resultados negativos. Essa tem sido a
nossa vida. Outro fato, é o crescente número de atendimentos, talvez pelo bom
atendimento prestado, pelas dificuldades dos hospitais vizinhos e pela
aplicação de um novo sistema de integração computadorizada, que estamos usando
no momento e que dificulta um pouco mais o atendimento. Apesar desse ponto
negativo, vamos vencer pois o sistema aplicado está dando certo e agora vamos
melhorar um pouco mais. Portanto amigos, um pouco mais de paciência pois o
nosso hospital está dando certo e precisamos de vocês para que continuem
fazendo as suas críticas construtivas. Também não deixam de ter razões aqueles
que se queixam da precariedade da saúde e dos esforços que se fazem para
melhorar. Não deixa de ser um grande problema do Brasil. Consequência de governos
que não se preocupam com a saúde do povo. Aqui em São José do Norte, vejo que
há um segmento lutando para melhorar, no entanto dependemos de verba federal e
essa é muito curta.... Não se consegue improvisar por muito tempo. Saúde é
cara. Se houvesse dinheiro, seria tudo diferente...


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