PONTO DE VISTA 149
A HISTÓRIA DO VELHO CHICO CONTADA EM TRES PARTES...
Quem conta tem a sua versão. Quanto mais o tempo passa, fica
mais difícil de ser entendido, vou dar a minha visão que se confunde com a
minha vida. Se alguém não gostar,
paciência, não posso mudar. Como o assunto é extenso vou tentar fazer em três capítulos,
no blog do neuton brum vocês podem acompanhar melhor. Eu já era daqui, vivi
férias e várias temporadas pelo Norte. Por isso sempre me considerei nortense.
Em 1972, depois de dois anos de formado médico, por insistência do Dr. Vilmar
Barbosa, aceitei o convite que vinha de encontro as minhas pretensões. Desta
forma eu também estava resolvendo um problema dele que estava se deslocando
para Rio Grande, onde exerceria a sua profissão e não queria deixar a cidade
sem médico. Eu, recém-chegado de Jacinto
Machado, em Santa Catarina, estava exercendo as minhas atividades quando recebi
o convite. Vim e venci, pois sempre me adaptei a esse povo que me recebeu muito
bem e por isso aprendi a amar, daí toda minha dedicação.
Quando cheguei, deparei com o prédio em fase final de
construção e alguns equipamentos, como camas, aparelho de radiologia e alguns
móveis, embalados e aguardando para serem utilizados, foram doados pela
Alemanha, ainda na Gestão do Dr. Francisco Parobé e depois na de Dario Futuro.
Entre outros, destaco membros da comunidade que se empenharam no erguimento do
prédio, como Francisco Malta (Chiquinho Malta), Darci Xavier Pereira, Padre
Onofre, Acacio Gibbon, Paulo Fernandes, Acacio Gonçalves, Dr. Jader Amaral, Dr.
Vilmar Barbosa e tantos outros que viveram na época e não lembro agora, o fato
pode ser pesquisado.
Diante do quadro, fiz a primeira tentativa e cheguei ao
então Prefeito, Mary Paladino. Com o devido respeito, fui enrolado, fez uma
proposta para ir residir em Bujuru e quanto ao hospital ficou na conversa.
Penso que a política foi o agente que obstruiu essa aproximação, pois o Parobé
era seu adversário político e eu era o sobrinho, talvez o receio que eu pudesse
entrar para a política, fosse o causador da indecisão. Demorou um tempo e
resolvi tomar uma iniciativa, aluguei uma casa na rua Marechal Floriano, fiz
uma reforma e transformei em uma casa de saúde. Contratei enfermeiras e possuía
sete quartos, hospitalizando pacientes e fazendo inclusive partos e alguns
procedimentos de pequenas cirurgias. O que eu queria mesmo era mostrar ao
prefeito que se ele quisesse, poderíamos colocar o que me pertencia dentro do
hospital, que praticamente estava com a área física construída. Essa segunda
tentativa também não deu certo. Enfim um novo prefeito, do mesmo partido, mas
com uma mentalidade mais aberta, Elias Zogby. Foi me procurar e pediu que eu
fizesse uma lista das necessidades, para que o hospital São Francisco pudesse
funcionar. Aceitei o desafio e fiz uma Lista, depois outra e finalmente uma
quinta, aí ele disse que não tinha mais dinheiro. Disse que ficaria difícil
abrir um hospital com maternidade se não existir um bloco cirúrgico. Foi a
última lista, naquela época ele me autorizou a gastar uma boa importância, em
Porto Alegre, adquirindo material cirúrgico e outros materiais. Entramos então
na fase de colocar em funcionamento. Faltou algo muito importante, colchões. E
agora? Pedimos ao Sr. Butros Nader, na época o comércio mais progressista da
cidade, gentilmente ele fez a doação de cinquenta colchões de palha. No início
achamos estranho, depois forramos com plásticos e serviu durante algum
tempo. Continuaremos com a segunda
parte talvez amanhã...