PONTO DE VISTA 150
CONTINUIDADE DA HISTÓRIA DO VELHO CHICO SEGUNDA PARTE
O mês foi passando e não tínhamos dinheiro para pagar os
primeiros funcionários. Para o azar do Guaiba Gautério, proprietário da empresa
ÁS DE ESPADAS (que está vivo ainda e pode confirmar essa história) um ônibus de
sua propriedade se acidentou com mais de trinta pessoas feridas e para nossa
sorte, que já não tínhamos mais sustentabilidade para manter as nossas contas e
pagar os funcionários. Foi um saragaço, de um lado o Dr.Miranda, que estava chegando na cidade e no hospital e
do outro eu, a parteira Iolanda,
enfermeiros e outros ajudantes, repartimos o atendimento e graças a Deus
saiu tudo bem. Depois enviamos e recebemos o faturamento do Guaiba, dessa forma
pudemos respirar com mais calma. Em seguida após chegou a primeira fatura do
FUNRURAL, depois veio a calmaria e aos poucos o convênio com INPS e outros, que
deram forma ao HOSPITAL E MATERNIDADE SÃO FRANCISCO.
Com o passar dos tempos, veio o Dr. Job Teixeira Gomes para
fazer clínica e anestesia, que junto com o Dr. Afonso Miranda e este, que
escreve essa matéria, eram os únicos médicos que administravam e tocaram para
frente o HOSPITAL. Comecei como Diretor clínico e depois de um certo tempo
ocupei a Presidência da Associação e Maternidade São Francisco. Aos poucos e depois de sucessivos Prefeitos
que passaram pela Prefeitura, cada qual querendo tirar vantagens políticas e
colaborar com o mínimo, no atendimento da comunidade, foi tornando
insustentável a sua manutenção. Essa fase foi muito triste e várias assembleias
de sócios foram realizadas. Sendo que uma vez, cheguei ao ponto de entrar em
briga corporal com o prefeito local que tentou me agredir pelas costas. Foi uma
confusão, dentro do salão nobre da antiga Intendência, onde funcionava a Câmara
de Vereadores. Só não vou descrever o episódio em detalhes para não transformar
a matéria em página humorística. As assembleias do Hospital sempre foram
tumultuadas. Sempre as mesmas brigas. De um lado os gestores que queriam fazer
politicagem às custas do funcionamento do hospital, não queriam pagar a justa
remuneração para manter o serviço que prestávamos à comunidade. Isso fazia
atrasar os nossos compromissos com os funcionários e fornecedores. Vários prefeitos passaram direta ou
indiretamente pela direção do hospital e os problemas eram sempre os mesmos,
usavam o hospital para fazer política e não cumpriam com as duas obrigações de
colaborarem adequadamente na manutenção do serviço assumido; continuaremos
amanhã, numa terceira parte...


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