quinta-feira, 11 de maio de 2017


PONTO DE VISTA 149    A HISTÓRIA DO VELHO CHICO CONTADA EM TRES PARTES...





Quem conta tem a sua versão. Quanto mais o tempo passa, fica mais difícil de ser entendido, vou dar a minha visão que se confunde com a minha vida.  Se alguém não gostar, paciência, não posso mudar. Como o assunto é extenso vou tentar fazer em três capítulos, no blog do neuton brum vocês podem acompanhar melhor. Eu já era daqui, vivi férias e várias temporadas pelo Norte. Por isso sempre me considerei nortense. Em 1972, depois de dois anos de formado médico, por insistência do Dr. Vilmar Barbosa, aceitei o convite que vinha de encontro as minhas pretensões. Desta forma eu também estava resolvendo um problema dele que estava se deslocando para Rio Grande, onde exerceria a sua profissão e não queria deixar a cidade sem médico.  Eu, recém-chegado de Jacinto Machado, em Santa Catarina, estava exercendo as minhas atividades quando recebi o convite. Vim e venci, pois sempre me adaptei a esse povo que me recebeu muito bem e por isso aprendi a amar, daí toda minha dedicação.

Quando cheguei, deparei com o prédio em fase final de construção e alguns equipamentos, como camas, aparelho de radiologia e alguns móveis, embalados e aguardando para serem utilizados, foram doados pela Alemanha, ainda na Gestão do Dr. Francisco Parobé e depois na de Dario Futuro. Entre outros, destaco membros da comunidade que se empenharam no erguimento do prédio, como Francisco Malta (Chiquinho Malta), Darci Xavier Pereira, Padre Onofre, Acacio Gibbon, Paulo Fernandes, Acacio Gonçalves, Dr. Jader Amaral, Dr. Vilmar Barbosa e tantos outros que viveram na época e não lembro agora, o fato pode ser pesquisado.

Diante do quadro, fiz a primeira tentativa e cheguei ao então Prefeito, Mary Paladino. Com o devido respeito, fui enrolado, fez uma proposta para ir residir em Bujuru e quanto ao hospital ficou na conversa. Penso que a política foi o agente que obstruiu essa aproximação, pois o Parobé era seu adversário político e eu era o sobrinho, talvez o receio que eu pudesse entrar para a política, fosse o causador da indecisão. Demorou um tempo e resolvi tomar uma iniciativa, aluguei uma casa na rua Marechal Floriano, fiz uma reforma e transformei em uma casa de saúde. Contratei enfermeiras e possuía sete quartos, hospitalizando pacientes e fazendo inclusive partos e alguns procedimentos de pequenas cirurgias. O que eu queria mesmo era mostrar ao prefeito que se ele quisesse, poderíamos colocar o que me pertencia dentro do hospital, que praticamente estava com a área física construída. Essa segunda tentativa também não deu certo. Enfim um novo prefeito, do mesmo partido, mas com uma mentalidade mais aberta, Elias Zogby. Foi me procurar e pediu que eu fizesse uma lista das necessidades, para que o hospital São Francisco pudesse funcionar. Aceitei o desafio e fiz uma Lista, depois outra e finalmente uma quinta, aí ele disse que não tinha mais dinheiro. Disse que ficaria difícil abrir um hospital com maternidade se não existir um bloco cirúrgico. Foi a última lista, naquela época ele me autorizou a gastar uma boa importância, em Porto Alegre, adquirindo material cirúrgico e outros materiais. Entramos então na fase de colocar em funcionamento. Faltou algo muito importante, colchões. E agora? Pedimos ao Sr. Butros Nader, na época o comércio mais progressista da cidade, gentilmente ele fez a doação de cinquenta colchões de palha. No início achamos estranho, depois forramos com plásticos e serviu durante algum tempo.   Continuaremos com a segunda parte talvez amanhã...


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