PONTO DE VISTA 935
CONFUSÃO INTERNACIONAL
Para que a gente possa entender o que se passa no Brasil, é
preciso conhecer o que pensa o mundo. Atualmente, dois navios estão
estacionados no porto de Paranaguá, Paraná, carregados de produtos
agropecuários brasileiros e que não podem retornar para o Irã, porque
Petrobrás, por ordem do governo brasileiro, não abastece os seus navios,
diferente das normas do comércio internacional. Aguarda por uma decisão. O Irã
por sua vez, é o quinto comprador de produtos agrícolas do Brasil. Movimenta um
comercio que nos últimos anos já comprou mais de 10 bilhões de dólares,
enquanto o nosso país adquiriu cerca de 400 milhões. Logo, levamos uma vantagem
enorme na negociação. Por outro lado, o Irã controla o estreito de Ormuz, no
golfo pérsico, um canal por onde passa a maior parte do petróleo do mundo.
Fácil de controle e pode causar um aumento superior de cinco vezes ao preço do
petróleo no seu preço atual, se for bloqueado. O Brasil, de forma gratuita, sem
precisar ver a opinião do Trump, pois o “chefe” disse estar alinhado ao seu
programa e sabe o que fazer, arruma mais uma vez, confusão internacional, como
já fez com a Venezuela (também por petróleo, a pedido de Trump), quase
ocasionando uma guerra, atritando com a China, outro grande comprador e agora
com o Irã. Tudo para exercer o seu papel de puxa-saquismo de uma potência que
sempre nos explorou. Até aí, tudo mal, pois o pior está para vir, no plano
nacional, perderemos outro grande cliente e somamos mais uma uma tensão na
fervura do ambiente existente, que no plano internacional, corre o risco até de
se transformar numa guerra mundial. Ficamos na dependência do que pode resultar
do grande conflito que pode estourar, quando já definimos o nosso lado da
questão. Diferente do que tem pautado por longas décadas, o nosso comportamento
diplomático, gerado pelo Itamarati, que sempre foi de apaziguar os conflitos e
encontrar soluções de paz. Ao contrário o governo Bolsonaro, gera ódio, para
que o seu desejo seja consolidado, pensa até em nomear o seu filho, como embaixador
brasileiro nos EE.UU., para nossa vergonha e desrespeito. Por isso se houve
dizer que o Brasil não é um país sério.


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