domingo, 20 de janeiro de 2019


PONTO DE VISTA 747     OS AGRICULTORES DE SÃO JOSÉ DO NORTE, A CEBOLA...
Em nossa terra, quando se fala em camarão, a gente não pode deixar de dizer alguma coisa sobre a cebola, para não dar o que falar para os que se dedicam a agricultura. Um produto que faz a satisfação do nosso agricultor, embora possa vir acompanhada de muita frustração. Como é um produto perecível, muitas vezes prega peças no plantador, que chega a ser de arrepiar o cabelo dos que ainda possuem. Guardam o produto com muito carinho, em locais adequados e bem acondicionados, as intempéries, associadas ao tempo e a má qualidade do produto, proporcionam a participação de fungos que deterioraram e constituíram a sua degeneração. Aí vem a tristeza de terem que jogar na vala, cebolas apodrecidas, que servirão apenas para adubação do solo. Outras vezes sofrem a ação dos intermediários, que seguem a demanda do mercado nacional e aviltam o seu preço, tornando o produto invendável, principalmente nas ocasiões que há superprodução. O agricultor se deprime e aguarda um pouco mais para se desfazer de sua safra e não dá outra, sendo pego até de surpresa por um fato que já se deu em anos anteriores, novo apodrecimento e nova safra jogada fora. Então ele diz que isso não vai acontecer mais, pois, no próximo ano, venderá logo no início da safra, e logo depois vê os seus sonhos desaparecerem, trabalharam muito para não receberem o suficiente arcar com os custos, vê novamente a desvalorização do produto, na maioria das vezes, único meio de venda da família, necessário para a manutenção de todos. Deixando para trás os projetos que vinha elaborando desde o início do cultivo, aumentando cada dia que passa, a sua pobreza e as suas lamentações pelo trabalho que ele e toda a família tiveram, quando não obteve a recompensa que merecia, quando dia após dia, com chuva ou sol forte, levantando na madrugada e sempre se preocupando com a evolução climática, e outros requisitos de uma boa lavoura. Frustram as suas vidas e de sua família. Outras vezes, pensam em abandonar a profissão, procurarem outras ocupações, no entanto, com dúvidas e medo de enfrentarem a nova realidade, recomeçam no próximo ano, cheios de esperanças para enfrentar a nova safra. Com novas decepções, fogem do campo e se direcionam para a cidade, onde assumem novos empregos e são vitoriosos, mantendo sempre o olhar saudoso para a vida rural e a vontade de um dia retornarem...

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