PONTO DE VISTA 747
OS AGRICULTORES DE SÃO JOSÉ DO NORTE, A CEBOLA...
Em nossa terra, quando se fala em camarão, a gente não pode
deixar de dizer alguma coisa sobre a cebola, para não dar o que falar para os
que se dedicam a agricultura. Um produto que faz a satisfação do nosso
agricultor, embora possa vir acompanhada de muita frustração. Como é um produto
perecível, muitas vezes prega peças no plantador, que chega a ser de arrepiar o
cabelo dos que ainda possuem. Guardam o produto com muito carinho, em locais
adequados e bem acondicionados, as intempéries, associadas ao tempo e a má
qualidade do produto, proporcionam a participação de fungos que deterioraram e constituíram
a sua degeneração. Aí vem a tristeza de terem que jogar na vala, cebolas
apodrecidas, que servirão apenas para adubação do solo. Outras vezes sofrem a
ação dos intermediários, que seguem a demanda do mercado nacional e aviltam o
seu preço, tornando o produto invendável, principalmente nas ocasiões que há superprodução.
O agricultor se deprime e aguarda um pouco mais para se desfazer de sua safra e
não dá outra, sendo pego até de surpresa por um fato que já se deu em anos
anteriores, novo apodrecimento e nova safra jogada fora. Então ele diz que isso
não vai acontecer mais, pois, no próximo ano, venderá logo no início da safra,
e logo depois vê os seus sonhos desaparecerem, trabalharam muito para não
receberem o suficiente arcar com os custos, vê novamente a desvalorização do produto,
na maioria das vezes, único meio de venda da família, necessário para a manutenção
de todos. Deixando para trás os projetos que vinha elaborando desde o início do
cultivo, aumentando cada dia que passa, a sua pobreza e as suas lamentações
pelo trabalho que ele e toda a família tiveram, quando não obteve a recompensa
que merecia, quando dia após dia, com chuva ou sol forte, levantando na
madrugada e sempre se preocupando com a evolução climática, e outros requisitos
de uma boa lavoura. Frustram as suas vidas e de sua família. Outras vezes,
pensam em abandonar a profissão, procurarem outras ocupações, no entanto, com
dúvidas e medo de enfrentarem a nova realidade, recomeçam no próximo ano,
cheios de esperanças para enfrentar a nova safra. Com novas decepções, fogem do
campo e se direcionam para a cidade, onde assumem novos empregos e são
vitoriosos, mantendo sempre o olhar saudoso para a vida rural e a vontade de um
dia retornarem...


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