PONTO DE VISTA 945
PLANTÃO MÉDICO ... A TRAGÉDIA
Dessa vez foi violento. Cavacos do ofício. A noite trouxe
uma surpresa desagradável. Uma senhora idosa, entre outros problemas o mais
aflitivo. Não sabia que o incêndio em sua casa trouxe a morte do seu marido e
de seu filho, cadeirante. Chegou chorando copiosamente, pelo pouco que sabia e
muito do que desconfiava. Coube a nós transmitir a triste notícia. Nem sempre o
médico informa boas notícias. Muitas vezes, o doloroso dever do fato presente.
Dizer que esgotou a última chance que Deus consentiu, talvez uma forma de ter
encerrado a sua missão terrestre. Para nós, uma missão ingrata. Lidar com ser
humano que acaba de perder a sua riqueza mais importante. Marido e filho,
afastado por tragédia, do convívio familiar. Há poucos momentos, havia dado a
última refeição ao filho enfermo e saído para cumprir missão religiosa.
Informada por pessoas amigas, ainda no ambiente do templo, chega às pressas ao
hospital, onde jazia o corpo do marido, que chegou sem vida, naquele momento,
vítima de uma intoxicação carbônica, provocada pelo incêndio, apesar dos
esforços médicos de recuperação. Restando apenas aos facultativos de plantão, o
conforto merecido, quando se fazia acompanhar de irmãos de sua igreja, em ato
de solidariedade. Assim é a vida. A surpresa do inesperado marcou presença. A
tarefa de informar foi muito dolorosa, pior até que o atendimento. Restou o
triste consolo de quem tem pouco para dar e a dificuldade de dizer que o seu
marido e o seu filho inválido, não fazem mais parte desse mundo. Ao médico, a
triste missão de informar. Ela, de aceitar o que lhe foi destinado e a
necessidade de encarar uma nova vida, junto àqueles que sobraram e que
certamente vão ajudá-la a retornar para vida. Tarefa que nos incumbiram e que
temos que desenvolver uma solução.... Mesmo assim, nos sentimos tristes e recompensados
pela oportunidade de CUMPRIR COM A NOSSA MISSÃO.


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