PONTO DE VISTA 683
OS MÉDICOS CUBANOS… SEGUNDA PARTE.
Ontem, escrevi sobre o assunto e um amigo colocou a sua
dúvida. Respondi imediatamente, sobre a diferença entre os médicos cubanos e os
brasileiros, quis o destino que a edição do texto parece que não se completou.
Pensei melhor e resolvi responder a pergunta em outro artigo, pelo interesse
suscitado. Começo dizendo que não sou especialista no assunto e muito menos
conheço Cuba. Pouquíssimos cubanos estão incluídos entre as minhas amizades. No
entanto eu procuro entender e acredito estar habilitado para responder, caso
contrário não faria, faço até mesmo por conhecer os sentimentos profissionais
de meus colegas. As faculdades formadoras são iguais, são reconhecidas
internacionalmente, até mesmo porque seguem os mesmos padrões de ensino,
geralmente seguem a Universidade de Harvard. Mesma duração e mesmas matérias
são ensinadas no decorrer do curso. Logo formam médicos capacitados. A
diferença reside no fato das nossas faculdades não estarem preparando
profissionais para se dedicarem a uma medicina mais atenta para o atendimento
social, ou seja, para se dedicarem aos mais carentes, aos que necessitam de um
atendimento mais adequado para as suas condições de vida. Os médicos são
funcionários do governo cubano e tem os seus honorários pagos por ele. Pagam a
sua previdência naquele pais. O sistema de ensino é um pouco diferente do
nosso. Enquanto os seus estudantes e seus familiares ganham toda assistência
médica, por isto prestarão a mesma assistência depois de formados. Os ensinamentos
que receberam nas suas escolas, são ministrados, unicamente de forma gratuita,
pois a assistência médica para toda a população é igual, bem como os medicamentos
e hospitalizações necessárias, são também fornecidos inteiramente gratuitos,
sem pagamento de honorários aos médicos ou farmácias, o governo cubano assume
toda as responsabilidades de ordem financeira e econômica. O estudante
brasileiro, além de pagar caro para estudar medicina, a prova é que existem
poucos estudantes pobres em condições de curso, os que estudam em faculdades
públicas, também a população paga altíssimos impostos, todos são sacrificados
pelas condições que lhes são oferecidas nas faculdades e hospitais de ensino,
sendo que depois de formado, o novo profissional, que entra para o mercado
de trabalho, precisa se recuperar do que foi gasto pela sua família que
geralmente é quem faz o investimento, o governo não oferece nenhum atrativo financeiro
satisfatório para compensar, exige muito, oferece condições precárias e baixos
salários aos novatos. Daí eles saírem para a vida e se agruparem em grandes
aglomerações humanas, deixando o interior do Brasil, completamente desfalcados
de médicos. Na verdade, assim como outros países se dedicam a fabricação de
automóveis, aviões, navios, armas e outros tipos de utensílios para negociarem
com outros países, Cuba se dedica a formar médicos para colocarem a disposição
do mundo que necessitar dos facultativos formados em suas universidades....
TUDO É UMA QUESTÃO CULTURAL, respeitemos os direitos deles e usamos ou não, o
que disponibilizam.... Se eles fossem escravos, embora eles neguem, deram
provas no seu atendimento, pois agradaram os brasileiros, o que diríamos das
professoras e outros trabalhadores que ganham salários bem mais inferiores?
Quanto estarem certo ou não, não sei, independe do que pensamos. Acho apenas
que eles não merecem serem tratados como monstros ou incapacitados....