PONTO DE VISTA 041 A PRESENÇA DA MORTE NA VIDA DO MÉDICO
Quadro angustioso quando se perde um ente querido. O que passa pela nossa cabeça? As pessoas reagem de maneira diferente. Tudo conforme o grau de angustia, de neurose, de administração de sua mente. No primeiro momento temos uma sensação de negação. Não acreditamos no que estão nos dizendo. Depois vem um período de aceitação. A pessoa começa a acreditar no médico ou naquele que deu a notícia triste. Finalmente entra na terceira fase, a adaptação. Nessa o vivente já aceitou o fato, continua com tristeza e segue em frente. Há casos que este período se torna muito demorado e pode levar a depressão grave. Esse mesmo processo vale para tudo que se relaciona com a má noticia. Um acidente, uma catástrofe, um diagnóstico de doença ruim. Nós médicos convivemos com esse drama quase que diariamente. Alguns dizem que somos frios, insensíveis ou coisa parecida. Na verdade, somos iguais a todos. Também sentimos as perdas de nossos doentes. Daqueles que nos foram entregues ou confiados para tratamento. Na real, nem todos os profissionais da área, pensam da mesma forma. Alguns não aceitam que seus pacientes possam entrar em óbito e ficam angustiados e até deprimidos. Acreditam que vão solucionar todos os problemas, colocando-se acima. Não conseguindo ficam frustrados e até mesmo se julgam impotentes diante da situação, mostrando a sua fragilidade e pouca experiência quando lidam com o ser humano. A fórmula que existe para combater essa prepotência é primitiva e bem simples. Humildade. A gente tem que saber o limite da ação humana. Temos que fazer o que precisa ser feito, empregar todas as técnicas que a medicina nos oferece e reconhecer sempre que existe um poder acima dos homens. A fé.


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